Uma iniciativa promissora mostra que é possível empreender e ajudar o meio ambiente

A indústria da moda é a segunda maior poluidora do planeta, esse dado alarmante serviu de inspiração para um projeto que reaproveita aquelas roupas que há muito tempo não saem do armário. Com a ajuda da tecnologia essas velhas roupas irão para novos donos.

Quando recebeu seu primeiro salário, a fundadora do Roupa Livre, Mariana Pellicciari, gastou tudo na compra de uma calça jeans. O consumo também fazia parte da vida profissional, durante anos ela trabalhou em uma agência de propaganda onde usava todas as suas estratégias para vender cada vez mais, até que um dia:

“Na verdade, dez anos depois de trabalhar com isso eu percebi que eu queria usar essa coisa de querer trazer uma mensagem para as pessoas, mas para elas viverem melhor, pra elas refletirem sobre a vida, contribuírem para um mundo melhor, e isso não se resume a comprar mais e mais”, diz Mariana.

Dessa inquietude nasceu o Roupa Livre, um movimento de consumo consciente onde o lema é: “ninguém precisa de roupas novas, é preciso um novo olhar”. Já existem roupas prontas para várias gerações nesse mundo.

O grupo tem quase 20 mil seguidores nas redes sociais e junto com outros colaboradores faz palestras e promove oficinas de cultura, que ensinam noções básicas para reformar as peças. Agora, se você cansou da roupa e não tem ideia no que ela pode se transformar, o movimento Roupa Livre criou um aplicativo que ajuda qualquer um a trocar as peças.

Primeiro você cadastra a roupa, depois dá uma olhada no que te interessa, se você gostar de uma peça e a dona dela também gostar de alguma peça sua, é só combinar a troca. “Tem mais de 3 mil peças cadastradas e nós estamos chegando em 500 combinações. Ou seja, as possibilidades de trocas já estão em 500”, diz Mariana.

Existe um conceito já muito antigo aqui no Brasil e que também está fazendo muito sucesso há anos, são os brechós. Existem mais brechós hoje em dia do que há 20 anos. Eles também são uma alternativa para um próprio negócio com baixo investimento e ajudam a movimentar roupas usadas que poderiam ir parar na natureza, sendo consideradas lixo.

O que se espera para os próximos anos é uma grande mudança na tendência de moda, mas não em relação ao status visual, e sim nos conceitos empregados para um desenvolvimento industrial que se preocupa com o meio ambiente.

“Quanto menos a indústria têxtil poluir o meio ambiente, mais possibilidades de uma grande alavancagem em negócios que envolvem peças já utilizadas emergirem. Com isso, os resíduos tóxicos liberados pela indústria têxtil na fabricação de novos tecidos reduzirão drasticamente no meio ambiente”, afirma Mariana.